A computação quântica pode não representar uma ameaça tão imediata ao Bitcoin quanto alguns alertaram, e qualquer risco real pode estar a anos de distância, de acordo com um novo estudo da CoinShares. Embora a criptografia do Bitcoin seja teoricamente vulnerável a futuros avanços quânticos, a tecnologia atual está longe de representar um perigo prático.
“A vulnerabilidade quântica do Bitcoin não é uma crise imediata, mas uma consideração de engenharia previsível, com amplo tempo para adaptação”, escreveram os pesquisadores da empresa.
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Ataques quânticos envolvem computadores poderosos que podem quebrar as chaves criptográficas que protegem o Bitcoin ou outras blockchains, permitindo que os atacantes derivem chaves privadas a partir de informações públicas.
Ataques desse tipo direcionados ao Bitcoin não são iminentes porque quebrar sua criptografia central exigiria máquinas quânticas muito além de qualquer coisa que exista hoje, argumentam os pesquisadores.
“Do ponto de vista da criptografia e da engenharia, a ameaça quântica ao Bitcoin continua sendo um risco a médio e longo prazo, não uma crise iminente”, disse Andy Zhou, cofundador e CEO da empresa de segurança blockchain BlockSec, ao Decrypt. “Mesmo sob suposições otimistas sobre o progresso quântico, o setor ainda tem um tempo considerável para se preparar e se atualizar.”
A ideia por trás da criptografia pós-quântica está “sob rigorosa padronização internacional há anos”, explicou Zhou, citando como o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA (NIST) já havia divulgado seu primeiro conjunto finalizado de padrões de criptografia pós-quântica em 2024.
Os padrões incluem “diversos algoritmos de criptografia e assinatura resistentes à computação quântica que estão prontos para uso”, além de algoritmos adicionais em fase de avaliação para backup e orientações mais amplas de implementação, explicou ele.
Zhou apontou para exemplos históricos, como o problema do bug do milênio (Y2K) – acrônimo para “Years to Quantum”, ou “Anos para a era Quantum”).
Temia-se amplamente que o chamado “bug do milênio” desencadeasse falhas sistêmicas com a virada do calendário para 1º de janeiro de 2000. “Parecia uma potencial catástrofe sistêmica, mas em grande parte não se materializou”, disse ele.
“Não é porque o risco fosse imaginário, mas sim porque governos e indústrias passaram anos auditando e atualizando sistemas críticos com antecedência”, disse ele. “A transição quântica para sistemas criptográficos provavelmente seguirá um caminho semelhante: migração planejada.”
No caso de ameaças quânticas, estimativas citadas pela CoinShares sugerem que um atacante precisaria de milhões de qubits, que são ordens de magnitude maiores do que os sistemas atuais, para quebrar uma chave em questão de horas ou dias.
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Pesquisadores estimam que mesmo os computadores quânticos mais avançados são de 10 a 100 mil vezes mais fracos do que o necessário para representar uma ameaça real, adiando riscos significativos para a década de 2030 ou posteriormente.
Ainda assim, endereços legados podem permanecer vulneráveis por longos períodos, enquanto atacar transações ativas exigiria cálculos quase instantâneos, que continuam muito fora de nosso alcance.
Como o Bitcoin seria ameaçado?
A CoinShares afirmou que o risco quântico teórico para o Bitcoin decorre de algoritmos que poderiam eventualmente expor chaves criptográficas ou enfraquecer o hashing, mas ressaltou que essas ameaças são remotas e de escopo limitado.
A empresa estima que cerca de 1,7 milhão de BTC, ou aproximadamente 8% da oferta, estejam em endereços P2PK legados com chaves públicas expostas, enquanto os tipos de endereço modernos ocultam as chaves até que as moedas sejam gastas e não podem afetar o limite de fornecimento do Bitcoin nem seu mecanismo de consenso, de prova de trabalho (PoW).
Mesmo em um cenário extremo, a CoinShares argumentou que o impacto no mercado seria limitado, com, no máximo, cerca de 10.000 BTC podendo ser comprometidos e vendidos repentinamente.
Soluções mais agressivas poderiam proteger a rede mais cedo, mas a empresa alerta que elas também acarretam riscos, incluindo bugs de software, suposições forçadas sobre moedas inativas e erosão da neutralidade e da confiança no Bitcoin, tornando a migração gradual e voluntária o caminho preferido.
“A ameaça da computação quântica ao Bitcoin é real, mas frequentemente mal interpretada”, disse Cameron Loo, COO do protocolo de mercado de previsão functionSPACE.
“As mesmas capacidades quânticas que quebrariam a criptografia de curva elíptica do Bitcoin também o fariam com a que sustenta os sistemas bancários, as comunicações militares, o HTTPS e praticamente toda a infraestrutura digital.”
* Traduzido e editado com autorização do Decrypt.
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