As criptomoedas intensificam as quedas registradas ao longo da semana, com o Bitcoin caindo mais de 7% na manhã desta sexta-feira (28) e atingindo US$ 79.823, nível não visto desde novembro do ano passado.
Durante a madrugada, a principal criptomoeda do mercado caiu ainda mais, chegando a US$ 78,9 mil, segundo o CoinGecko. Em reais, o BTC é negociado a R$ 472.864, marcando a primeira vez no ano que fica abaixo de R$ 500 mil, de acordo com dados do Portal do Bitcoin.
Neste ritmo, o Bitcoin já acumula perdas de 21% em fevereiro, o que representa a maior queda mensal da criptomoeda desde junho de 2022, quando o ativo desvalorizou mais de 37%, segundo dados do CoinGlass.
As criptomoedas recuam à medida que a aversão ao risco continua pressionando os mercados globais. Ethereum (ETH), por exemplo, registra uma queda de 10,4% nesta manhã, caindo para US$ 2.122, o que representa a sua menor cotação vista em mais de 14 meses.
O sentimento pessimista dos investidores frente a essas quedas está impactando o balanço dos ETFs de criptomoedas dos EUA. Ao longo do mês de fevereiro, os investidores retiraram mais de US$ 2 bilhões de ETFs de Bitcoin à vista, as saídas semanais mais significativas desde o lançamento desses produtos.
“Nos acostumamos a ver os ETFs dos EUA compensando as perdas, mas isso não está acontecendo agora. Em vez disso, vimos um fluxo recorde de saída de fundos nos últimos sete dias de negociação, à medida que as más notícias se acumulam”, disse Pav Hundal, analista de mercado da exchange Swyftx, ao Decrypt.
Segundo o especialista, a aversão ao risco tomou conta não apenas das criptomoedas, mas também influencia os índices de ações globais.
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As bolsas dos EUA fecharam em queda na quinta-feira, com o Nasdaq Composite recuando 2,8%, o S&P 500 caindo 1,6% e o Dow Jones perdendo 0,4%. A desvalorização foi impulsionada por uma forte liquidação de ações de tecnologia, liderada pela Nvidia, além do aumento das preocupações com a inflação, à medida que Trump intensifica ameaças de novas tarifas, desta vez mirando a União Europeia.
“Isso enfatiza uma forte urgência pela estabilidade da economia dos EUA antes que possamos esperar qualquer recuperação nos mercados”, disse o diretor de pesquisa da LVRG, Nick Ruck, ao The Block.
O cenário macroeconômico instável se soma às incertezas sobre a implementação de uma regulamentação mais abrangente para o mercado cripto nos EUA.
Os legisladores americanos adiaram o cronograma para aprovação das leis sobre a regulamentação do mercado cripto, o que é um sinal de que estão tendo dificuldades para honrar suas promessas eleitorais pró-cripto.
Durante a reunião inaugural do Subcomitê Bancário de Ativos Digitais do Senado dos EUA, a senadora Cynthia Lummis (Republicanos/Wyoming) disse que um grupo bipartidário de legisladores pró-cripto pretende aprovar uma estrutura abrangente voltada para o setor até o final deste ano.
Isso contradiz com a estimativa do recém-nomeado Czar das Criptomoedas, David Sacks, que prometeu no início deste mês pressionar o Congresso a consagrar as reformas na estrutura do mercado de ativos digitais e outras iniciativas pró-cripto em lei dentro dos primeiros 100 dias do segundo governo do presidente Trump.
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